Paladar infantil?

Paladar é como sentimos os alimentos que comemos, é um processo complexo e químico, que envolve a língua e os sabores básicos como doce, salgado, azedo, amargo e umami, e também está ligado ao olfato, assim como com a textura e a temperatura destes alimentos. Não tem nada a ver com o fato de sermos adultos ou crianças, então, paladar infantil não existe!

Crianças tendem a gostar mais de alimentos doces por uma combinação de fatores biológicos, evolutivos e de aprendizagem socioambiental, não porque “nasceram com paladar infantil”.

Desde o nascimento, o sabor doce está associado a fonte rápida de energia e alimentos seguros na natureza – frutas maduras são doces, enquanto sabores amargos podem indicar toxinas. Por isso, o cérebro infantil interpreta o doce como algo positivo e seguro. Ainda que seja uma preferência inata, com o tempo, o cérebro aprende a apreciar sabores mais complexos como alimentos mais ácidos, amargos e picantes.

O que a criança come com mais frequência molda o paladar, por isso a educação nutricional desde a introdução alimentar é tão importante, pois produtos ultraprocessados são muito doces, fáceis de mastigar e hiperpalatáveis, criam uma forte associação entre doce e prazer imediato. Isso não só para criança, para adultos também, o guia alimentar para a população brasileira reforça o conceito de que, devemos comer mais alimentos minimamente processados, depois os processados e raramente os ultraprocessados, então por que oferecer para a criança?

O ambiente onde a criança convive pode atrapalhar se for um local onde as pessoas têm boa relação com a comida, pois acabam oferecendo doces como prêmio ou recompensa, em datas comemorativas ofertam alimentos cheios de açúcar sem nada considerado saudável junto e a família costuma reforçar a ideia de que crianças “amam doce”, então elas aprendem isso também.

Melhorar a relação da criança com a comida não é sobre fazê-la “comer saudável”, e sim ajudá-la a sentir segurança, curiosidade e autonomia diante dos alimentos.

Dicas:
– Crie um ambiente alimentar seguro, a criança precisa sentir que não será pressionada.
– Evite frases como “só mais uma colher”, “come tudo”, “se comer ganha sobremesa”, “limpe o prato”.
– Permita que ela diga não sem punições, elas já nascem, na maioria das vezes, com o sistema de saciedade prontos.
– Estabeleça rotina de refeições, exposição repetida a determinados alimentos e sem pressão.
– Envolva a criança no preparo, isso traz reforço, autoconfiança e modelagem.
– Tire o peso emocional da comida, torne a experiência positiva, mas não teatral.
– Observe sinais de fome e saciedade.

Para mais, agende uma consulta comigo, sou nutricionista infantil e analista do comportamento.
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